sábado, 30 de novembro de 2013

O Fornício

Te beijarei na ponta das pestanas e nos mamilos,
Te turbulentamente beijarei, minha desavergonhada,
Nessas coxas de fulana branca,
Tocasse eu esses pés para outro voo mais ar
Que esse ar felino da tua fragrância,
Te dissesse espanhola minha, francesa minha,
Inglesa, ragazza, nórdica boreal,
Espuma da diáspora do Génesis.
Que mais te dissesse eu por dentro?
Grega, minha egípcia, romana plo mármore?
Fenícia, cartaginesa ou louca,
Loucamente andaluza no arco de morrer
Com todas as pétalas abertas,
Tensa a cítara de Deus, durante a dança do fornício?
Te ouvisse uivar, te fosse mordendo
Até às últimas papoilas, minha possessa.
Te todavia enlouquecesse ali, no frescor cego,
Te nadasse na imensidão insaciável da lascívia,
Risse frenético o frenesim com teus dentes,
Me arrebatasse o ópio da tua pele até ao ebúrneo de outra pureza,
Ouvisse cantar as esferas emergentes como Pitágoras,
Te lambesse, te farejasse como o leão à sua leoa,
Para o sol, que falicamente minha te amasse!

Gonzalo Rojas
(trad. de j.e.simões)

Emil Schildt



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