terça-feira, 24 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O meu amor

Ed van der Elsken, Paris, c. 1950






















O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.

Chico Buarque




Trecho do musical "Ópera do Malandro", com Marieta Severo e Elba Ramalho cantando "O Meu Amor"

sábado, 30 de novembro de 2013

O Fornício

Te beijarei na ponta das pestanas e nos mamilos,
Te turbulentamente beijarei, minha desavergonhada,
Nessas coxas de fulana branca,
Tocasse eu esses pés para outro voo mais ar
Que esse ar felino da tua fragrância,
Te dissesse espanhola minha, francesa minha,
Inglesa, ragazza, nórdica boreal,
Espuma da diáspora do Génesis.
Que mais te dissesse eu por dentro?
Grega, minha egípcia, romana plo mármore?
Fenícia, cartaginesa ou louca,
Loucamente andaluza no arco de morrer
Com todas as pétalas abertas,
Tensa a cítara de Deus, durante a dança do fornício?
Te ouvisse uivar, te fosse mordendo
Até às últimas papoilas, minha possessa.
Te todavia enlouquecesse ali, no frescor cego,
Te nadasse na imensidão insaciável da lascívia,
Risse frenético o frenesim com teus dentes,
Me arrebatasse o ópio da tua pele até ao ebúrneo de outra pureza,
Ouvisse cantar as esferas emergentes como Pitágoras,
Te lambesse, te farejasse como o leão à sua leoa,
Para o sol, que falicamente minha te amasse!

Gonzalo Rojas
(trad. de j.e.simões)

Emil Schildt



domingo, 27 de outubro de 2013

Sexo no Cinema #22

Iréne Jacob em A Dupla Vida de Verónica (1991), de Kieslowski.




sábado, 19 de outubro de 2013

Sexo no Cinema #21



And when she lets me slip away
She turns me on and all my violence is gone
Nothing is wrong, I just slip away and I am gone
Nothing is wrong, she turns me on
I just slip away and I am gone

Blur-Beeblebum.

                                                      The Brown Bunny, de Vincent Gallo, 2004

Chloe Sevigny em The Brown Bunny, de Vincent Gallo



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

sábado, 14 de setembro de 2013

Soneto XVII

Dizem que o rei cruel de Averno imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter do cu na aberta greta
A quem não foder bem cá nesse mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta;
Este o prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras.

Bocage

anónimo, séc. XIX

domingo, 7 de julho de 2013

Tentação

Delta esfíngico
doce e subtil
escondendo
e prometendo
deleites mil.

Ao mesmo tempo ardente
carente
solitário
cruel
prometendo o mel
e o gozo.

Sendo homem
aceso o fogo
arme em riste:

– A um cono desses
quem resiste?


Francisco Mendes

Frederic Fontenoy

segunda-feira, 1 de julho de 2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

WTF??













comer aqui

sábado, 25 de maio de 2013

Aula de amor















Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.

Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.

Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.


Bertolt Brecht (1898-1956)


domingo, 28 de abril de 2013

Balofas Carnes

Georges Delfau



Balofas carnes de
balofas tetas
caem aos montões
em duas mamas pretas
chocalhos velhos a
bater na pança
e a puta dança.

Flácidas bimbas sem
expressão nem graça
restos mortais de uma
cusada escassa
a quem do cu só lhe
ficou cagança
e a puta dança.

A ver se caça com
disfarce um chato
coça na cona e vai
rompendo o fato
até que o chato
de morder se cansa
a puta dança.

Os calos velhos com
sapatos novos
fazem-na andar como
quem pisa ovos
pisando o par de cada
vez que avança
e a puta dança.

Julga-se virgem de
compridas tranças
mas se um cabrito
de cornadas mansas
abre a carteira e
generoso acode
a PUTA FODE.

António Botto (1897-1959)

sábado, 27 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Hora de amor

Vem.
Adormece encostada a este braço
Mais débil do que o teu.
Entrega-te despida
Nas mãos dum homem solitário
Que a maldição não deixa
Que possa nem sequer lutar por ti.
Vem,
Sem que eu te chame, ou te prometa a vida.
E sente que ninguém,
No descampado deste mundo, tem
A alma mais guardada e protegida.

Miguel Torga

Jean-Marc Bory e Jeanne Moreau em Os Amantes, 1958

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