terça-feira, 30 de outubro de 2012

Soneto do século de ouro espanhol

– Que quer de mim, senhor? – Filha, foder-te.
– Diga com mais rodeios. – Cavalgar-te.
– Diga ao modo cortês. – Então, gozar-te.
– Diga ao modo pateta. – Merecer-te.

– Bem hajas que consigo compreender-te
e mal haja quem peça de tal arte.
Depois, o que farás? – Arregaçar-te
e com a pica alçada acometer-te.

– Tu sim hás de gozar meu paraíso.
– Que paraíso? Eu quero é minha porra
metida bem no fundo do teu racho.

– Com que rodeio o dizes, tão precioso!
– Caluda, amor, que de prazer já morra,
fodendo-te eu por cima, tu por baixo.

Anónimo
(trad. José Paulo Paes)


domingo, 28 de outubro de 2012

Mãe Natureza

John Swannel, 1985

Marcel Marien

James Fee, c. 2000

Lucien Clergue

sábado, 27 de outubro de 2012

Eu vi Narcina um dia, que folgava

Eu vi Narcina um dia, que folgava
Na fresca borda de uma fonte clara:
Os peitos, em que Amor brinca e se ampara,
Com aljofradas gotas borrifava.

O colo de alabastro nu mostrava
A meu desejo ardente a incauta avara.
Com ponteagudas setas, que ela ervara,
Bando de Cupidinhos revoava.

Parte da linda coxa regaçado
O cândido vestido descobria;
Mas o templo de amor ficou cerrado:

Assim eu vi Narcina. — Outra não cria
O poder da Natura, já cansado;
E se a pode fazer, que a faça um dia.

Américo Elísio (1763-1838)

Mihály von Zichy

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Entre as tépidas coxas te palpita

Ken Josephson, 1973


Entre as tépidas coxas te palpita
um negro coração febril, fendido,
de remoto e sonâmbulo latido
que entre escuras raízes se suscita:

um coração felpudo que me incita
mais que outro cordial e estremecido
a entrar como na casa em que resido
até tocar o grito que te habita.

E quando jazes toda nua,
quando ávida as pernas abres palpitando,
e até ao fundo, em frente a mim, te fendes,

um coração podes abrir, e se entro
com a língua nas entranhas que me estendes,
posso beijar teu coração por dentro.


Tomás Segovia (tradução de David Mourão-Ferreira)

Russ Meyer, Beneath the Valley of the Ultra Vixens, 1979

domingo, 21 de outubro de 2012

Valerie Kaprisky - La Femme Publique (1984)











Sexo no Cinema #13

Valerie Kaprisky e Lambert Wilson em La Femme Publique (1984), de Andrzej Zulawski.




 

sábado, 20 de outubro de 2012

Soneto XLVII



“Mas se o pai acordar!…” (Márcia dizia
A mim, que à meia-noite a trombicava)
“Hoje não…” (continua, mas deixava
Levantar o saiote, e não queria!)

Sempre em pé a dizer: “Então, avia…”
Sesso à parede, a porra me aguentava:
Uma coisa notei, que me arreitava,
Era o calçado pé, que então rangia:

Vim-me, e assentado num degrau de escada,
Dando alimpa ao caralho, e mais à greta,
Nos preparamos para mais porrada:

Por variar, nas mãos meti-lhe a teta;
Tosse o pai, foge a filha… Oh vida errada!
Lá me ficou em meio uma punheta!


Bocage (1765-1805)

domingo, 14 de outubro de 2012

Literatura Histérica

O que acontece quando se lê em voz alta, com um vibrador (ligado) introduzido na vulva?
Para quem ainda não acredita nos prazeres da leitura, aqui fica a prova...



descoberto no blog a funda São

Bom dia

Não há bom dia mais perfeito
do que a minha cara de bem comida
refletida no espelho.

Vivi Fernandes de Lima


Charles Gates Sheldon

sábado, 13 de outubro de 2012

A lei suprema


Foder é lei humana, e lei divina;
E por divina ser, – é lei eterna!
Fode o homem no lar, ou na campina,
Fode o bruto no ermo, ou na caverna.

Fodem no ar os pássaros, voando,
Fodem no mar os peixes flutuantes...
Fode o leão feroz, rendido e brando
Às carícias das fêmeas palpitantes!

Fodem também as árvores e as flores,
Os próprios minerais: cristal ou aço;
A terra é um grande tálamo de amores,
Cada raio do sol – tira um cabaço!

Numa fornicação de labaredas
Esporram-se os vulcões, pelas crateras;
As próprias deusas dos sombrios Vedas
Fodiam, a rosnar, como panteras.

Mas nem vulcões, nem deusas, nem aquilo
Que mais tenha fodido a toda hora,
Sabem foder melhor que o crocodilo,
Segundo a opinião de uma senhora.

Aquilo é só zás-trás, nó cego, e pronto,
“Veio-se” na primeira espetadela;
E é mais outra, outra mais... qual! Nem eu conto
O número de tanta esporradela...

Pode mais que qualquer moça solteira
Quando nos mete em casa, às escondidas,
Para passar metendo a noite inteira,
Mais assanhadas quanto mais fodidas!

Nem Safo, com as moças mais safadas
De Lesbos, se esfalfando em roçadinhos,
Para melhor sentir as caralhadas
De Faon, um Martinho entre os Murtinhos!

Ninguém, a não ser tu, minha inocente
E casta diva, ó quente bela dona!
Ninguém é no foder mais excelente,
Para quem cono e cu é tudo cona!...

Para quem cono e cu, e peito e boca,
Dedos de pé e mão, coxa e sovaco.
Tudo serve de vulva, quando louca
Lambes as minhas bolas e o meu taco...

O taco empunhas, sacudindo as bolas,
No bilhar do teu corpo, que estremece
Nesse carambolar em que tu rolas,
Enquanto meu caralho engorda e cresce!

Nessas partidas, que tão bem jogamos,
Ninguém sabe tirar melhor partido;
Vão lá saber quem perde, se ganhamos
Num perde-ganha por ninguém perdido...

Nem Romeu na janela de Julieta,
Que lhe passava a mão no pendrucalho,
Fazendo-lhe medrosa uma punheta,
Com vergonha de olhar para o caralho...

Nem Fausto, no jardim de Margarida,
Que por sinal era o jardim de Marta,
– Aquela alcoviteira mais fodida
Que das mais velhas putas a mais farta;

Que Mefistófeles encontrou a dedo
Para vencer o seu rival eterno,
Lançando a alma do doutor, mais cedo,
Graças a ela, nos fogões do inferno...

Nem Peri, com Ceci, quando lhe disse
Que era capaz de ir-lhe buscar a lua,
Quando, por fim de contas, tal pieguice
Era um pretexto para vê-la nua.

Ou só de tanga, como a que ele usava,
Para em seguida desatar-lhe a tanga;
Que o galo, no terreiro onde cantava,
Bem via nela apetitosa franga...

Nem Ofélia, boiando na corrente,
Mais livre assim que dentro do convento
Onde quis ver o príncipe demente,
Que andava a dar na fina, ao sol e ao vento...

Nem Desdémona, aos golpes do cutelo,
Estrebuchando mais que numa foda,
Vítima imbele do tesão de Otelo,
Cujo ciúme já passou de moda...

Nem Susana, a viúva inconsolável
Do velho Pedro Álvares Cabral.
Ninguém resiste à lei incomparável,
Que é lei eterna – e lei universal!

Múcio Teixeira (1857-1928)




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

As nítidas maminhas vacilantes

Alex Freund


ODE

As nítidas maminhas vacilantes
Da sobre-humana Eulina,
Se com férvidas mãos ousado toco,
Ah! que me imprimem súbito
Elétrico tremor, que o corpo inteiro
Em convulsões me abala!
O sangue ferve: em catadupas cai-me...
Brotam-me lume às faces...
Raios vibram os olhos inquietos...
Os ouvidos me zunem!
Fugir me quer o coração do peito...
Morro de todo, amada!
Fraqueja o corpo, balbucia a fala!
Deleites mil me acabam!
Mas ah! que impulso novo, ó minha Eulina!
Resistir-lhe não posso...
Deixa com beijos abrasar teu peito:
Une-te a mim... morramos.

in Poesias Avulsas (1825) de Américo Elísio - pseudónimo de José Bonifácio (1763-1838)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A boa dieta

Carlota dissera ao seu doutor
Que lhe agradava, de manhã, fazer amor,
Embora à noite a coisa fosse mais sadia.
Sendo ela prudente, resolveu
Fazê-lo duas vezes ao dia:
De manhã, por prazer
De noite, por dever.

Friedrich von Logau (1604-1655)
(Trad. José Paulo Paes)



domingo, 7 de outubro de 2012

and all I want...

You told me you like my mouth. You want to kiss
me.

My mouth is a wound and you
want to kiss me.

But you’re like
that: You want to go leaping over cliffs–
you want to go drinking poison
and then write pretty poems about it–
and all I want to do is fuck you.

Daphne Gottlieb, Why Things Burn


Bill Brandt, 1938




sábado, 6 de outubro de 2012

WTF?

Atlanta, 1947, Edward Clark

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A WOMAN waits for me...

A WOMAN waits for me—she contains all, nothing is lacking,
Yet all were lacking, if sex were lacking, or if the moisture of the right man were
lacking.

Sex contains all,
Bodies, Souls, meanings, proofs, purities, delicacies, results, promulgations,
Songs, commands, health, pride, the maternal mystery, the seminal milk;
All hopes, benefactions, bestowals,
All the passions, loves, beauties, delights of the earth,
All the governments, judges, gods, follow’d persons of the earth,
These are contain’d in sex, as parts of itself, and justifications of itself.

Without shame the man I like knows and avows the deliciousness of his sex,
Without shame the woman I like knows and avows hers.

Now I will dismiss myself from impassive women,
I will go stay with her who waits for me, and with those women that are warm-blooded and
sufficient for me;
I see that they understand me, and do not deny me;
I see that they are worthy of me—I will be the robust husband of those women.

They are not one jot less than I am,
They are tann’d in the face by shining suns and blowing winds,
Their flesh has the old divine suppleness and strength,
They know how to swim, row, ride, wrestle, shoot, run, strike, retreat, advance, resist,
defend themselves,
They are ultimate in their own right—they are calm, clear, well-possess’d of
themselves.

I draw you close to me, you women!
I cannot let you go, I would do you good,
I am for you, and you are for me, not only for our own sake, but for others’ sakes;
Envelop’d in you sleep greater heroes and bards,
They refuse to awake at the touch of any man but me.

It is I, you women—I make my way,
I am stern, acrid, large, undissuadable—but I love you,
I do not hurt you any more than is necessary for you,
I pour the stuff to start sons and daughters fit for These States—I press with slow
rude muscle,
I brace myself effectually—I listen to no entreaties,
I dare not withdraw till I deposit what has so long accumulated within me.

Through you I drain the pent-up rivers of myself,
In you I wrap a thousand onward years,
On you I graft the grafts of the best-beloved of me and America,
The drops I distil upon you shall grow fierce and athletic girls, new artists, musicians,
and singers,
The babes I beget upon you are to beget babes in their turn,
I shall demand perfect men and women out of my love-spendings,
I shall expect them to interpenetrate with others, as I and you interpenetrate now,
I shall count on the fruits of the gushing showers of them, as I count on the fruits of
the gushing showers I give now,
I shall look for loving crops from the birth, life, death, immortality, I plant so
lovingly now.


Walt Whitman (1819-1892)

Konstantin Andreevich Somov (1869-1939)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

I feel you

I Feel You by Depeche Mode on Grooveshark
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