sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Sexo no Cinema #12

O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes, de Bob Rafelson, 1981

 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rígidos seios de redondas, brancas

Rígidos seios de redondas, brancas
frágeis e frescas inserções macias,
cinturas, coxas rodeando as ancas
em que se esconde o corredor dos dias;

torsos de finas, penugentas, frias,
enxutas linhas que nos rins se prendem,
sexos, testículos, que inertes pendem
de hirsutas liras, longas e vazias

da crepitante música tangida,
húmida e tersa, na sangrenta lida
que a inflada ponta penetrante trila;

dedos e nádegas, e pernas, dentes.
Assim no jeito infiel de adolescentes,
a carne espera, incerta, mas tranquila.


Jorge de Sena (1918-1978)

Alison Watt, Body #2, 1995

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O que se passa na cama

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)
É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pénis.

Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pénis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.

E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda húmidos de sémen,
estes segredos de cama.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)


Brigitte Bardot e Jean-Louis Trintignant em E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, 1956



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

sábado, 25 de agosto de 2012

"Let's misbehave"

Let's Misbehave by Boilermaker on Grooveshark

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Ilha


Deitada és uma ilha.E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias.
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

David Mourão-Ferreira


Josef Breitenbach-Adirondacks, c. 1950

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sobre mim cavalgas

Sobre mim cavalgas
cingindo-me os flancos 

Colhes à passagem
a luz do instante

De dentes cerrados
ondulas, avanças, 

retesas os braços,
comprimes as ancas.

Depois para a
frente 

inclinas-te olhando
o que entre dois ventres
ocorre entretanto,
e o próprio galope
em que vais lançada
Que lua te empolga
Que sol te embriaga

Lua e sol tu és 

enquanto cavalgas 

amazona e égua 

de espora cravada
no centro do corpo

Centauresa alada 

com os seios soltos
como feitos de água.

Queria bebê-los 

quando mais te dobras
Os cabelos esses 

sorvê-los agora

Mas de cada vez
que o rosto aproximas 

já é outra a sede
que me queima a língua:
A de nos teus olhos 

tão perto dos meus
descobrir o modo 

de beber o céu.

David Mourão-Ferreira

Pierre Jousson, Erotiques, 1968

sábado, 18 de agosto de 2012

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vamos Foder, Querido Amor

Paul-Émile Bécat (1885-1960)






















"Vamos foder, querido amor; p'ra dentro e p'ra fora,
Pois temos a obrigação de foder por termos nascido,
E tal como eu anseio por cona, tu anelas por corno,
Porque, sem isso, o mundo não faria sentido.

Se depois da morte fosse decente ser possuído,
Eu diria: Vamos foder, vamos foder até morrer;
Uma vez lá, todos foderemos - tu, Adão, Eva, e eu -
Pois eles inventaram a morte e pensaram-na má.

É verdade que mesmo que aqueles dois primeiros ladrões
Nunca tivessem comido aquele fruto pérfido,
Nós ainda saberiamos como foder (mas não usar folhas).

Mas agora deixemo-nos de conversas; apontemos e disparemos
A picha direita ao coração, e façamos com que a alma
Seja arrebatada ao morrer em uníssono com a verga.

E poderia o vosso grande buraco
Receber como testemunhas estas bóias oscilantes
Para uma interna declaração das nossas alegrias ?"

Pietro Aretino (1492-1556), Sonetti Lussuriosi 9 (1525)


Talvez Foder by Pedro Abrunhosa on Grooveshark

domingo, 12 de agosto de 2012

Sexo no Cinema #11

Lena Olin e Daniel Day-Lewis em A Insustentável Leveza do Ser, de Philip Kaufman, 1988.



sábado, 11 de agosto de 2012

Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.


Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo



Le Genou de Claire, de Eric Rohmer, 1970

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cherry Bomb



Cherry Bomb by The Runaways on Grooveshark

terça-feira, 7 de agosto de 2012

La Petite Mort

“We rehearse for the big death through the little death of orgasm, through erotic living. Death as transfiguration.”

Peter Redgrove

Brassai, O Fenómeno do Êxtase, 1933

domingo, 5 de agosto de 2012

Sexo no Cinema #10

O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, 1976




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

Florbela Espanca (1894-1930)


Laure Albin Guillot, 1930s

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...