terça-feira, 31 de julho de 2012

Flor Negra

“You wake me,
Part my thighs, and kiss me.
I give you the dew
Of the first morning of the world.”

Kenneth Rexroth, The Love Poems of Marichiko

Daido Moriyama, Dark Flowers

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Soneto

Piolhos cria o cabelo mais dourado;
branca remela o olho mais vistoso;
pelo nariz do rosto mais formoso
o monco se divisa pendurado:

Pela boca do rosto mais corado
hálito sai, ás vezes bem ascoroso;
a mais nevada mão sempre é formoso
que de sua dona o cu tenha tocado:

Ao pé dele a melhor natura mora,
que deitando no mês podre gordura,
fétido mijo lança a qualquer hora:

Caga o cu mais alvo merda pura;
Pois se é isto o que tanto se namora,
Em ti mijo, em ti cago, oh formosura!


Abade de Jazente (1720-1789)

domingo, 29 de julho de 2012

O amor das fêmeas

Gerda Wegener





















Amavam-se. E que longo amor tinham as duas,
quando no leito, a sós, ambas se viam nuas,
ao romper da manhã!...

Os corpos brancos de uma alvura de nevoeiro,
apetitosos como os frutos em janeiro
e os seios num contorno iriente de romã...

Enlaçavam depois os corpos. Boca a boca,
trocavam docemente os mais vermelhos beijos,
numa febre de amor, numa ternura louca,
entre gritos do sangue e ardências dos desejos.

Noites brancas! Na sede ardentíssima do gozo,
que frémitos! Da carne o insaciado ardor
rói o sexo que explui, a crepitar, furioso,
injetado de amor...

Xavier de Carvalho (1862-1919)


Gerda Wegener


sábado, 28 de julho de 2012

Gata em telhado...


Gabriela, telenovela da Rede Globo, de 1975
(uma adaptação televisiva do romance de Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela, 1958)

Sónia Braga

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Eu vi uma pentelheira

Eu vi uma pentelheira
No corpo daquela dona
Que quase caí pra trás
Era pentelho de ruma
Que não acabava mais
Era uma mata profunda
Que começava no imbigo
E terminava na bunda.

Pra descobrir o priquito
Por detrás daquela mata
Fiz um esforço tão grande
O coração quase me mata
Os pentelhos da mulher
Era uma mata de cipó
Tudo muito emaranhado
Cheio de trança e de nó.

Me fiz de bom caçador
Na frente do cipoal
E rompi aquela mata
Com a força do meu pau.

Chico Doido de Caicó (1922-1991)


Demi Moore

quinta-feira, 26 de julho de 2012

WTF...?






































Que tal pedir ajuda a esta moça ?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A origem da menstruação

(De uma fábula inédita de Ovídio, achada nas escavações de Pompeia e vertida em latim vulgar por Simão de Nântua.)

’Stava Vénus gentil junto da fonte
Fazendo o seu pentelho,
Com todo o jeito, p’ra que não ferisse
Das cricas o aparelho.

Tinha que dar o cu naquela noite
Ao grande pai Anquises,
O qual, com ela, se não mente a fama,
Passou dias felizes...

Rapava bem o cu, pois resolvia
Na mente altas ideias:
– Ia gerar naquela heróica foda
O grande e pio Eneias.

Mas a navalha tinha o fio rombo,
E a deusa, que gemia,
Arrancava os pentelhos e, peidando,
Caretas mil fazia!

Nesse entretanto a ninfa Galateia,
Acaso ali passava,
E vendo a deusa assim tão agachada,
Julgou que ela cagava...

Essa ninfa travessa e petulante
Era de génio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor
Atira-lhe um calhau...

Vénus se assusta. A branca mão mimosa
Se agita alvoroçada,
E no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
Tremenda navalhada.

Da nacarada cona, em subtil fio,
Corre purpúrea veia,
E nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...

(É fama que quem bebe dessas águas
Jamais perde a tesão
E é capaz de foder noites e dias,
Até no cu de um cão!)

– “Ora porra” – gritou a deusa irada,
E nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
Uma risada solta.

A travessa menina mal pensava
Que, com tal brincadeira,
Ia ferir a mais mimosa parte
Da deusa regateira...

– “Estou perdida!” – trémula murmura
A pobre Galateia,
vendo o sangue correr do róseo cono
Da poderosa deia...

Mas era tarde! A Cípria, furibunda,
Por um momento a encara,
E, após instantes, com severo acento,
Nesse clamor dispara:

“Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
Que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
Um crime como este?!

Assim, por mais de um mês inutilizas
O vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
As horas tão propícias?

Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
Que é que há de fazer, por tanto tempo,
Este faminto cono?...

Ó Adónis! Ó Júpiter potentes!
E tu, Mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
Da minha dor ao grito!

Este vaso gentil que eu tencionava
Tornar bem fresco e limpo
Para recreio e divinal regalo
Dos deuses do Alto Olimpo.

Vêde seu triste estado, ó! Que esta vida
Em sangue já se esvai-me!
Ó Zeus, se desejais ter foda certa
Vingai-vos e vingai-me!

Ó ninfa, o cono teu sempre atormente
Perpétuas comichões,
E não aches jamais quem nele queira
Vazar os seus colhões...

Em negra podridão imundos vermes
Roam-te sempre a crica
E à vista dela sinta-se banzeira
A mais valente pica!

De eterno esquentamento flagelada,
Verta fétidos jorros,
Que causem tédio e nojo a todo mundo,
Até mesmo aos cachorros!”

Ouviu-lhe estas palavras piedosas
Do Olimpo o Grão Tonante,
Que em pívia ao sacana do Cupido
Comia nesse instante...

Comovido no íntimo do peito,
Das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
À puta que o pariu...

Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
De concha alabastrina,
Que quatro aladas porras vão tirando
Na esfera cristalina.

Cupido que as conhece e as rédeas bate
Da rápida quadriga,
Co’a voz ora as alenta, ora co’a ponta
Das setas as fustiga.

Já desce aos bosques, onde a mãe, aflita,
Em mísera agonia,
Com seu sangue divino o verde musgo
De púrpura tingia...

No carro a toma e num momento chega
À olímpica morada,
Onde a turba dos deuses, reunida,
A espera consternada!

Já Mercúrio de emplastros se a aparelha
Para a venérea chaga,
Feliz porque naquele curativo
Espera certa a paga...

Vulcano, vendo o estado da consorte,
Mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
Celestes abalou...

Sorriu o furto a ciumenta Juno,
Lembrando o antigo pleito,
E Palas, orgulhosa lá consigo,
Resmoneou: – “Bem-feito!”

Coube a Apolo lavar dos roxos lábios
O sangue que escorria,
E de tesão terrível assaltado,
Conter-se mal podia!

Mas, enquanto se faz o curativo,
Em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
Com beijos e com abraços.

Depois, subindo ao trono luminoso,
Com carrancudo aspeto,
E erguendo a voz troante, fundamenta
E lavra este DECRETO:

– “Suspende, ó filha, os lamentos justos
Por tão atroz delito,
Que no tremendo Livro do Destino
De há muito estava escrito.

Desse ultraje feroz será vingado
O teu divino cono,
E as imprecações que fulminaste
Agora sanciono.

Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
Estenda-se o castigo
para expiar-te o crime que esta infame
Ousou para contigo...

Para punir tão bárbaro atentado,
Toda humana crica,
De hoje em diante, lá de tempo em tempo,
Escorra sangue em bica...

E por memória eterna chore sempre
O cono da mulher,
Com lágrimas de sangue, o caso infando,
Enquanto mundo houver...”

Amém! Amém! com voz atroadora
Os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram.


Bernardo Guimarães (1825-1884)

Thomas Karsten - A concha de Vénus

terça-feira, 24 de julho de 2012

Beijos #13

Faye Dunaway e Steve McQueen, The Thomas Crown Affair, 1968

domingo, 22 de julho de 2012

sábado, 21 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Clit

I know where the clit is and I know what to do about it.

Charles Bukowski

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Beijos #12

Rudolfo Valentino e Nita Naldi em Blood and Sand, 1922.

domingo, 15 de julho de 2012

Pedro Soriano ou a Torre de Babel ou A Porra do Soriano - de Guerra Junqueiro





















Eu canto do Soriano o singular mangalho!
Empresa colossal! Ciclópico trabalho!
Para o cantar inteiro e o cantar bem
Precisava viver como Matusalém
Dez séculos!
Enfim, nesta pobreza métrica
Cantemos essa porra, porra quilométrica,
Donde pendem os colhões de que dão ideia vaga
As nádegas brutais do Arcebispo de Braga.

*

Sim, cantemos a porra, o caralho iracundo
Que, antes de nervo cru, já foi eixo do Mundo!
Mastro do leviatã! Eminência revel!
Estando murcho foi a Torre de Babel!
Caralho singular! É contemplá-lo!
É vê-lo
Teso! Atravessaria o quê?
O Sete-Estrelo!!
Em Tebas, em Paris, em Lagos, em Gomorra
Juro que ninguém viu tão formidável porra!
É uma porra, arquiporra!
É um caralhão atroz
Que se lhe podem dar trinta ou quarenta nós
E, ainda assim, fica o caralho preciso
Para foder, da Terra, Eva no Paraíso!

É uma porra infinita, é um caralho insonte
Que nas roscas outrora estrangulou Le Comte.

*

Oh, caralho imortal! Glória destes lusos!
Tu poderias suprir todos os parafusos
Que espremem com vigor os cachos do Alto Douro!
Onde há um abismo, onde há um sorvedouro
que assim possa conter esta porra do diabo??!
Marquês de Valadas em vão mostra o rabo,
Em vão mostra o fundo o pavoroso Oceano!
─ Nada, nada contém a porra do Soriano!!

*

Quando morrer, Senhor, que extraordinária cova,
Que bainha, meu Deus, para esta porra nova,
Esta porra infeliz, esta porra precita,
Judia errante atrás de uma crica infinita??
─ Uma fenda do globo, um sorvedouro ignoto
que lhe há de abrir talvez um dia um terremoto
para que deságue, esta porra medonha,
em grossos borbotões de clerical langonha!!!

*

A porra do Soriano é um infinito assunto!
Se ela está em Lisboa ou em Coimbra, pergunto?
Onde ela começa?
Onde é que termina
Essa porra, que estando em Braga, está na China,
Porra que corre mais que o próprio pensamento,
Porque é porra de pardal e porra de jumento??
Porra!
Mil vezes porra!
Porra de bruto
Que é capaz de foder o Cosmos num minuto!!!


Guerra Junqueiro (1850-1923)

sábado, 14 de julho de 2012

Ampulhetas

Bettie Page

Betty Brosmer

Jayne Mansfield
Sophia Loren
Jane Russell

Anita Eckberg

sexta-feira, 13 de julho de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Cântico

Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa... nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua,
ela, agora, descansa, adormecida.

De seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
Sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...,
enquanto o luar a nimba, inerte, gasta
Da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
E eu pouso a boca, religiosa e casta,
Sobre a flor esmagada do seu sexo.


José Régio (1901-1969)


Daido Moriyama 1969

domingo, 8 de julho de 2012

Quando desejos outros é que falam

Quando desejos outros é que falam
e o rigor do apetite mais se aguça,
despetalam-se as pétalas do ânus
à lenta introdução do membro longo.
Ele avança, recua, e a via estreita
vai transformando em dúlcida paragem.

Mulher, dupla mulher, há no teu âmago
ocultas melodias ovidianas.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)





sexta-feira, 6 de julho de 2012

O canto do puto

Tony Ward

























Minha voz dengosa
Ó fanchos, ouvi!
Sou fruta gostosa
E fruta nasci.
Ó fanchos, meu macho
Era o Jurandi;
O macho sebento
De pau de jumento
Que pra meu tormento
Ó fanchos, perdi!

Já vi bons caralhos
De amigos bandalhos
E os doces trabalhos
Da foda provei!
Das picas calhordas
Senti pelas bordas
Contactos de cordas
Das picas que amei!

Sou puto, confesso!
Bichocas não meço
Quando a alguém peço
Para me enrabar!
Da bunda ao buraco,
Ou então no sovaco,
Não dou o cavaco,
Eu quero é gozar!

O Fontes guloso,
O Paulo Veloso,
O Staerke, jeitoso,
Comeram-me nu!
O Elpídio surdina,
O Cortes bolina
E o Lápis canina
Me foram ao cu!

Agora, cansado,
Todo engalicado,
Ficou isolado
Meu cu infeliz!
Se acaso não acho
Alguém para macho,
No cu atarraxo
Meu grande nariz...

Meu canto de puta
Ó fanchos, ouvi!
Sou fresco! Sou fruta!
Veado nasci!


Paulo Veloso

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Steve McQueen

Steve McQueen, por John Dominis, LIFE Magazine, 1963

domingo, 1 de julho de 2012

Os segredos do caralho

Mote

Os segredos do caralho
Ninguém os pode entender;
Alegre quando tem fome,
Triste depois de comer!

Glosa

De pedreiro oficial
Contratou um casamento,
E guardava (oh! que portento!)
Um estado virginal.
Em a véspera nupcial
Acabou o seu trabalho,
E, à sombra de um carvalho,
Disse, vendo a terna irmã:
– Eu vou saber amanhã
Os segredos do caralho.

Passando a noite ditosa
Desse prazer tão completo,
Que, para o tal arquiteto,
Tinha sido deleitosa,
Deixa um pouco a terna esposa,
Vai da irmã à casa ter;
E, ao vi-lo receber,
Diz-lhe ele baixo à orelha:
– Mana, segredos d'abelha
Ninguém os pode entender.

– É verdade, lhe replica
A irmã, que a foder é destra;
Nem com ser abelha-mestra
Sei os segredos da pica...
Não viste tu como fica
Antes e depois que come?
É uma cousa sem nome!...
Nota bem que não gracejo;
É só o bicho que vejo
Alegre, quando tem fome!

– Reparei, irmã querida,
E fez-me grande impressão
Vir-lhe aquela indigestão
Logo depois da comida!
Cansado da dura lida
Parece que vai morrer;
Embalde tenta se erguer
Porque a fraqueza o tolhe,
E entre os colhões se recolhe,
Triste depois de comer!

Laurindo Rabelo (1826-1864)


Eric Gill (1882-1940), Most Precious Ornament, 1937
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