sábado, 23 de junho de 2012

Pregas

da série "Women under the skirt" (1983-1987), por Nazak Pahlavi.

Bolinhas

da série "Women under the skirt" (1983-1987), por Nazak Pahlavi.

Flores

da série "Women under the skirt" (1983-1987), por Nazak Pahlavi.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Professor Filósofo

De todas as ciências que se inculca na cabeça de uma criança quando se trabalha na sua educação, os mistérios dos cristianismo, ainda que uma das mais sublimes matérias dessa educação, sem dúvida não são, entretanto, aquelas que se introduzem com mais facilidade no seu jovem espírito. Persuadir, por exemplo, um jovem de catorze ou quinze anos de que Deus pai e Deus filho são apenas um, de que o filho é consubstancial com respeito ao pai e que pai o é com respeito ao filho, etc, tudo isso, por mais necessário à felicidade da vida, é, contudo, mais difícil de fazer entender do que a álgebra, e quando queremos obter êxito, somos obrigados a empregar certos procedimentos físicos, certas explicações concretas que, por mais que desproporcionais, facultam, todavia, a um jovem, compreensão do objeto misterioso.

Ninguém estava mais profundamente afecto a esse método do que o abade Du Parquet, preceptor do jovem conde de Nerceuil, de mais ou menos quinze anos e com o mais belo rosto que é possível ver.

- Senhor abade, – dizia diariamente o pequeno conde a seu professor – na verdade, a consubstanciação é algo que está além das minhas forças; é-me absolutamente impossível compreender que duas pessoas possam formar uma só: explicai-me esse mistério, rogo-vos, ou pelo menos colocai-o a meu alcance.

O honesto abade, orgulhoso de obter êxito na sua educação, contente de poder proporcionar ao aluno tudo o que poderia fazer dele, um dia, uma pessoa de bem, imaginou um meio bastante agradável de dirimir as dificuldades que embaraçavam o conde, e esse meio, tomado à natureza, devia necessariamente surtir efeito. Mandou que buscassem em sua casa uma jovem de treze a catorze anos, e, tendo instruído bem a mimosa, fez com que se unisse a seu jovem aluno.

- Pois bem, – disse-lhe o abade – agora, meu amigo, concebas o mistério da consubstanciação: compreendes com menos dificuldade que é possível que duas pessoas constituam uma só?

- Oh! meu Deus, sim, senhor abade, – diz o encantador energúmeno – agora compreendo tudo com uma facilidade surpreendente; não me admira esse mistério constituir, segundo se diz, toda a alegria das pessoas celestiais, pois é bem agradável quando se é dois a divertir-se em fazer um só.

Dias depois , o pequeno conde pediu ao professor que lhe desse outra aula, porque, conforme afirmava, algo havia ainda “no mistério” que ele não compreendia muito bem, e que só poderia ser explicado celebrando-o uma vez mais, assim como já o fizera. O complacente abade, a quem tal cena diverte tanto quanto a seu aluno, manda trazer de volta a jovem, e a lição recomeça, mas desta vez, o abade particularmente emocionado com a deliciosa visão que lhe apresentava o belo pequeno Nerceuil consubstanciando-se com a sua companheira, não pôde evitar colocar-se como o terceiro na explicação da parábola evangélica, e as belezas por que suas mãos haviam de deslizar acabaram inflamando-o totalmente.

- Parece-me que vai demasiado rápido, – diz Du Parquet, agarrando os quadris do pequeno conde – muita elasticidade nos movimentos, de onde resulta que a conjunção, não sendo mais tão íntima, apresenta bem menos a imagem do mistério que se procura aqui demonstrar… Se fixássemos, sim… dessa maneira, – diz o velhaco, devolvendo a seu aluno o que este empresta à jovem.

- Ah! Oh! meu Deus, o senhor me faz mal – diz o jovem – mas essa cerimônia parece-me inútil; o que ela me acrescenta com relação ao mistério?

- Por Deus! – diz o abade, balbuciando de prazer – não vês, caro amigo, que te ensino tudo ao mesmo tempo? É a trindade, meu filho… é a trindade que hoje te explico; mais cinco ou seis lições iguais a esta e serás doutor na Sorbonne.

Marquês de Sade, Contos Libertinos



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mário Faustino

Mário Faustino de Veras
Se és deveras veado
Por que não assinas logo
Pra quem dás ou pra quem deras
Ou darás, Faustino amado:
Em vez de Mário Faustino,
Mário Deveras Veado?


Manuel Bandeira (1886-1968)


domingo, 17 de junho de 2012

Storyville

Fotografias da série "Storyville portraits" - prostitutas de Nova Orleães fotografadas por E.J. Bellocq, no início do século XX.






sábado, 16 de junho de 2012

Lágrimas de esperma

Da banda sonora de Apollonide - Memórias de um Bordel (2011), de Bertrand Bonello.

The Right to Love You by The Mighty Hannibal on Grooveshark

Soneto de Todas as Putas por Bocage *




















Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.


* Soneto de autoria disputada, alguns atribuem-no a João Vicente Pimentel Maldonado













Imagens do filme Apollonide - Memórias de um Bordel, de Bertrand Bonello, 2011

Bad Girl (Part 1) by Lee Moses on Grooveshark

domingo, 10 de junho de 2012

Amor – pois que é palavra essencial

Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma a expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas.
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade


Nan Goldin, série "Balada da Dependência Sexual" 1981-1996

sábado, 9 de junho de 2012

Leda e o Cisne

Madeleine Collinson em Twins of Evil, 1971

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Destricted

Sendo ainda considerado tabu a representação do sexo no cinema, Destricted (2006) é um projecto que explora os limites entre a arte e a pornografia. Composto por sete curtas-metragens, nele podemos encontrar Hoist, de Matthew Barney, ou ainda Balkan Erotic Epic, de Marina Abramovic.





quinta-feira, 7 de junho de 2012

Beijos #11

Humphrey Bogart e Lauren Bacall

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sexo no Cinema #9

Victoria Abril e Antonio Banderas em Ata-me (1990), de Pedro Almodovar.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Beijos #10

Daniel Craig e Rooney Mara.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Sexo no Cinema #8

Marlon Brando e Maria Schneider na famosa cena da manteiga em Último Tango em Paris (1972), de Bernardo Bertolucci.



sábado, 2 de junho de 2012

O amor é o amor - e depois?!

Will McBride, Will e Barbara, Munique, 1963























O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!


Alexandre O´Neill, Poesias Completas 1951/1981

sexta-feira, 1 de junho de 2012

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