terça-feira, 29 de maio de 2012

agora eu era linda outra vez

agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
                               amor

agora eras tu como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor


valter hugo mãe, O Resto da Minha Alegria


Alexandre Dupouy, c1940

domingo, 27 de maio de 2012

69






















Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 26 de maio de 2012

Poema Breve

Beijos #9

Madchen in Uniform, de Géza von Radványi, 1958 - com Romy Schneider

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sexo no Cinema #7


Vergonha, de Steve McQueen, 2011

A cena de sexo de Michael Fassbender com Amy Hargreaves pressionada contra o vidro de uma janela de um quarto do hotel The Standard, em Manhattan, foi filmada durante o dia, por cima de uma rua movimentada. Espectadores observavam os dois actores que, entre takes, sorriam e acenavam da janela, completamente nus.

Desde que foi inaugurado em Nova Iorque, em 2009, o Standard Hotel já se tornou conhecido por muitos dos seus hóspedes fazerem sexo em público, às janelas dos seus quartos, para entretenimento dos transeuntes. Este fenómeno já foi inclusive abordado em artigos do New York Magazine e do The Observer, entre outras publicações.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sexo no Cinema #6

Kathleen Turner em "Body Heat", de Lawrence Kasdan, 1981

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Love Her Madly






























Jim Morrison e Pamela Courson, 1970, por Alexis Waldeck

Love Her Madly by The Doors on Grooveshark

domingo, 20 de maio de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sexo no Cinema #5


Lucélia Santos em Bonitinha Mas Ordinária, de Braz Chediak, 1980.

Ver aqui.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Bundamel bundalis bundacor bundamor

Ralph Gibson, Eye-ass, 1975


Bundamel bundalis bundacor bundamor bundalei bundalor bundanil bundapão
bunda de mil versões, pluribunda unibunda
          bunda em flor, bunda em al
          bunda lunar e sol
          bundarrabil 

Bunda maga e plural, bunda além do irreal
arquibunda selada em pauta de hermetismo
          opalescente bun
          incandescente bun
meigo favo escondido em tufos tenebrosos
a que não chega o enxofre da lascívia
e onde
a global palidez de zonas hiperbóreas
concentra a música incessante
do girabundo cósmico.

Bundaril bundilim bunda mais do que bunda
Bunda mutante/renovante
que ao número acrescenta uma nova harmonia.
Vai seguindo e cantando e envolvendo de espasmo
o arco de triunfo, a ponte de suspiros
a torre de suicídio, a morte do Arpoador
          bunditálix, bundífoda
bundamor bundamor bundamor bundamor.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)


Jan Saudek

segunda-feira, 14 de maio de 2012

No Satisfaction

Egon Schiele, Reclining Nude with Boots, 1918



Can't Get No Satisfaction (W/ by Björk on Grooveshark

domingo, 13 de maio de 2012

Crónica familiar

Havia o marido e sua mulher.
Ela, Maria. O homem, José.

Maria, mais jovem, era de prendas
domésticas. Fazia rendas 

e sob as agulhas guardava um segredo
que mesmo sonhá-lo causava-lhe medo.

Maria era jovem e tinha tesão.
O homem, mais velho, não tinha não.

Maria sonhava com falos suaves
ocultos em plumas, como o das aves.

José carpintava e de noite, cansado,
beijava-lhe o rosto, virava pro lado.

Na varanda da casa, José com a enxó
trabalhava um carvalho. Maria era só

desejo incontido, desejos impuros
(foder com um bruto, de pé, contra o muro).

Maria benzia-se, afastando da mente
o pecado mortal e inconsequente.

José labutava sobre a madeira.
Estava fazendo uma nova cadeira

para encostar o corpo reumático
nas noites em claro de homem asmático.

Um pombo azul, recendendo a lavanda,
pousou bem de leve naquela varanda.

Maria abismou-se na sua beleza,
a força selvagem sob a leveza

das plumas azuis. O rolo de lã
caiu do seu colo nessa manhã.

De pernas abertas, Maria sentiu
um leve arrepio de febre e de frio.

Sentiu que o pombo lhe penetrava
e vezes seguidas ejaculava

um sémen translúcido nas suas entranhas.
E veio o gozo, com força tamanha,

que Maria se viu levitando além
das nuvens, do céu, do horizonte. E sem

perceber que José estava por perto,
deu um grito de gozo, de peito aberto.

José suspendeu o serrote no ar.
O pombo sumiu. Maria, ao voltar 

a si, se compôs, arrumou o vestido
e olhou com ternura para o marido.

Ainda sentindo os mamilos em riste,
perguntou a José: por que estás triste?


Nei Leandro de Castro



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Estavas linda Inês posta em sossego, de teu anus colhendo o doce fruito


Todos lemos em "Os Lusíadas" o triste e comovente episódio da "mísera e mesquinha", cruelmente anavalhada pelos esbirros de D. Afonso IV, enquanto - no tal engano de alma ledo e cego - repousava nos Paços de Coimbra.
Lemos e convencidos ficámos de que o Épico atribuía ao seu "colo de garça" e ao fogo da juventude os muitos favores e honrarias que ia obtendo do temível D. Pedro.
As coisas não eram, porém, rigorosamente assim. Para além do rico par de marmelos da pequena, da formosura da sua pele e do temperamento ardoroso e sensual, o soberano tinha outro roliço e suculento motivo para estar caído de amores e entrar com todo aquele balúrdio que tanto inquietava os responsáveis pela fazenda. Uma gaitada assim no estilo do "Último Tango em Paris", não sei se me faço entender...
Precisando melhor: a origem do "doce fruito" que a jovem colhia não era propriamente "anual" (de anos), mas "anal", como de resto o Épico deixou bem expresso na primeira edição do seu livro.
A censura da tenebrosa Inquisição, o puritanismo religioso e a hipocrisia oficial é que transformaram a expressão "de teu anus" em "de teus anos", deturpando as intenções do poeta e obrigando a alterar o texto nas edições seguintes, para salvaguarda da moral burguesa - a eterna inimiga, como sabeis, da liberdade da expressão artística.
Felizmente porém (e enquanto o D. Pedro andava à caça...) o FOTÓGRAFO ESTAVA LÁ, na intimidade dos aposentos da Inês e pôde assim contribuir, com o seu testemunho indesmentível, para repor a verdade histórica.

"Gaiola Aberta", nº 15, 2 de Abril de 1975


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Poema d’amiga

Amiga de bem trepar
Queres foder hoje
Até o mundo acabar?
Ou queres foder depois
Pros lados d’além-mar?
Amiga de bem querer
Queres ser chupada hoje
Até parar de chover?
Ou queres ser chupada depois
Pra ser fodida e foder?
Oh amiga, minha amiga,
O que seria de mim sem você...

Chico Doido de Caicó (1922-1991)

Gundula Schulze Eldowy



Príapo

Príapo com Caduceu - fresco de Pompeia

















Por favor, minha doce Ipsitila,
minha linda, minha doçura,
manda te visite à hora da sesta.
E se o mandares bom será que
ninguém ponha tranca na porta,
nem te apeteça ir à rua,
mas que fiques em casa e nos prepares
nove fodas seguidas.
A sério, se te apetece mesmo, manda depressa,
pois almoçado e cheio de barriga para o ar
já rasgo não só a túnica mas também o pálio!

(Catulo, carme 32)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Que me venha esse homem


Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant em Un homme et une femme, de Claude Lelouch, 1966 


























Que me venha esse homem
depois de alguma chuva
que me prenda de tarde
em sua teia de veludo
que me fira com os olhos
e me penetre em tudo.

Que me venha esse homem
de músculos exatos
com um desejo agreste
com um cheiro de mato
que me prenda de noite
em sua rede de braços
que me perca em seus fios
de algas e sargaços.

Que me venha com força
com gosto de desbravar
que me faça de mata
pra percorrer devagar
que me faça de rio
pra se deixar naufragar.

Que me salve esse homem
com sua febre de fogo
que me prenda no espaço
de seu passo mais louco
que me venha esse homem
que me arranque do sono
que me machuque um pouco.


Bruna Lombardi

terça-feira, 8 de maio de 2012

A uma mulher mal fodida, e, por isso, muito ranzinza e muito malvada

Mordendo o próprio rabo a pescadinha
É servida em Lisboa, pelas tascas;
Haja sol, faça frio, uivem borrascas,
E comida, co’o rabo na boquinha.

Ali encontrei u’a dona bem mesquinha,
Dos livros beliscando algumas lascas,
De alguns velhos papéis roendo as cascas,
Até julgar-se em seu saber rainha.

E era tão feia, que nem para freira
Servira. E escrota de corpo e tão fera
De humor, que alguém lhe disse um dia: “Espera!

Por que, ao invés de cuspir tanta asneira,
Já que ninguém te quer comer a cona,
Não tapas co’a bundinha essa bocona?”


Paulo Franchetti (n. 1954)


Paul Gavarni, c. 1840

domingo, 6 de maio de 2012

Pétalas

“The petals of the vagina unfold like Christopher Columbus taking off his shoes. Is there anything more beautiful than the bow of a ship touching a new world?” 

Richard Brautigan

Georgia O'Keeffe - Black Iris

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Orgasmo

“Apparently orgasm is the only point where your mind becomes completely empty—you think of nothing for that second. That’s why it’s so compelling—it’s a tiny taste of death. Your mind is void—you have nothing in your head save white light.”

Jeff Buckley

Sanne Sannes

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Girl and a Gun


de Gustav Deutsch

terça-feira, 1 de maio de 2012

Oh Christ I just wanted you...

Oh Christ, I just wanted you to fuck me and then I became greedy, I wanted you to love me (2009) - Tracey Emin

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