terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Ó lobo já vens?"

Recordo-me, em miúda, de jogar à apanhada, e cantarolar com os outros: "Caminhando pela floresta, enquanto o lobo não vem. Ó lobo já vens?"
Naquela altura, desconhecia o valor polissémico do verbo vir...





(descoberto e retirado à descarada do Almas Mortas):

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

sábado, 24 de dezembro de 2011

Velho Conto

Nicolau, varão casado
Porém de sorte mofina,
Porque não tem descendência,
Resolve, desesperado,

Ir até a Palestina,
Para fazer penitência.
Parte, enceta a romaria,
Em casa a esposa deixando,

Sozinha, nos tristes lares,
E, piedoso, dia a dia,
Passa três anos rezando
Pelos Sagrados Lugares.

Pede ao Senhor que consagre,
Pelos gemidos que solta,
Esse desejo que o abrasa;

— E efetua-se o milagre,
Pois Nicolau, quando volta,
Acha três filhos em casa…


Olavo Bilac

Oh,oh,oh,oh!

Bettie Page, Playboy 1955

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

Submissão


"Ajoelha-te, tenho algo a dizer-te," disse ele. "Receio que Renée te tenha preparado muito mal." "Eu obedeço a Renée," balbuciou ela. "Tu não consegues distinguir entre amor e obediência. Vais obedecer-me sem me amares e sem que eu te ame." Foi então que ele sentiu uma revolta a crescer dentro dela, uma tempestade da revolta estranha, silenciosa e com ela a negar as palavras que tinha ouvido, a negar as promessas de submissão e escravidão que tinha feito, a negar o seu próprio desejo, a sua nudez, o seu suor, as suas pernas trementes, os círculos em redor dos seus olhos. Ela cerrou os dentes e lutou quando ele, tendo rodopiado por detrás dela, a vergou até que os cotovelos e a testa dela tocassem no chão, enfiou as coxas atrás das dela e forçou as ancas dela a subir, enterrou-se no ânus dela, rasgando-a como Renée tinha dito que ela gostaria que ele fizesse. Da primeira vez, ela não gritou. Ele lançou-se à tarefa com mais brutalidade, e ela gritou. E de cada vez que ele se retirava, e que depois se enterrava novamente, de cada vez, sempre que ele queria, ela gritava. Ela tanto gritava de nojo e repulsa como de dor, e ele sabia isso. Ela também o sabia, e sabê-lo foi a medida da sua derrota, ela sabia que estava vencida e que ele gostava de a forçar a gritar.
A História d'O 

(Desde sempre atribuído a uma autora praticamente desconhecida, Pauline Réage, crê-se agora que A História d'O é a obra do estilista Jean Paulhan, editor da Nouvelle Revue Française, cujo nome só aparece na capa como autor de um extenso prefácio. Publicado em 1954, segue o padrão de vários romances pornográficos vitorianos ao descrever a submissão e humilhação feminina. Como parte de uma sequência de acontecimentos oníricos, a personagem central O é primeiramente levada pelo seu amante Renée para uma misteriosa casa de campo onde é "treinada". Então, ela é entregue ao meio-irmão mais velho dele, o inglês Sir Stephen)

domingo, 11 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entro paciente...

Entro paciente e afundo-me no reino
da mãe. O barro mais antigo
brilha no teu sexo que se abre escuro
ao meu desejo — à ternura, ao furor que busca
o caos. Só em ti, que não temes a noite nem a saudade,
me encontro. Abres a húmida concha
e salto para dentro do lume
da primeira casa. Deixo à entrada
a angústia de quem vai morrer.

Casimiro de Brito


Aaron Siskind (1903-1991)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

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