sexta-feira, 29 de abril de 2011

Delta de Vénus




Fotografias retiradas de Delta of Venus Illustrated (1979) de Bob Carlos Clarke (1950 - 2005)

sábado, 23 de abril de 2011

Receita de Mulher




As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37º celsius, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


Vinicius de Moraes

(fotografias de Bettie Page)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lolita


Lolita, de Stanley Kubrick, 1962

domingo, 17 de abril de 2011

Tina Modotti

Tina Modotti (1896 - 1942) foi uma fotógrafa italiana, modelo, actriz e activista política revolucionária.

Foi modelo predilecta (e amante) do fotógrafo Edward Weston (1886 - 1958).



fotografias de Edward Weston

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Gilda


Rita Hayworth - "Put The Blame On Mame" - Gilda, de Charles Vidor, 1946

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Nu Masculino II

A Cristandade, com o seu mito central do Pecado Original personificado por Adão e Eva e pela descoberta da vergonha sexual após o acto de desobediência às ordens de Deus, foi naturalmente hostil a todas as representações de corpos despidos. A tradição pagã encontrava-se, porém, demasiado implantada, especialmente em Itália, para ser permanentemente suprimida. Nos meados do século XIII, o escultor italiano Nicola Pisano reverte para os protótipos clássicos com uma das suas obras mais importantes: o púlpito no Baptistério de Pisa (1260) que representa um homem nu - uma alegoria de Força - derivado das representações de Hércules presentes nos sarcófagos romanos.


O Adão nu na Capela de Masaccio Brancacci em Florença, que data de c. 1427, possui um convincente realismo que teria sido impossível sem o conhecimento dos precedentes da Antiguidade. A Eva que o acompanha é de algum modo menos convincente do ponto de vista anatómico.


Havia razões para esta disparidade que estavam enraizadas nas práticas oficinais da Renascença. Os artistas estavam organizados em lojas (resquícios de práticas medievais) e eram chefiados por um mestre. Estas lojas eram negócios inteiramente masculinos e quando eram precisos modelos, os artistas posavam uns para os outros. Desenhos de Rafael (1485 - 1520) para algumas das suas Madonas, por exemplo, mostram que os primeiros esboços foram feitos com rapazes pequenos, neste caso completamente vestidos. Dadas as convenções sociais da época, a ideia dos artistas poderem fazer estudos de mulheres nuas era ainda um conceito impensável.

Fonte: Ars Erotica, de Edward Lucie-Smith
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...