domingo, 30 de janeiro de 2011

To Fuck With Love

Dois poemas retirados de The Love Book, de Lenore Kandel.



TO FUCK WITH LOVE PHASE III

to fuck with love
to love with all the heat and wild of fuck
the fever of your mouth devouring all my secrets and my alibis
leaving me pure burned into oblivion
the sweetness UNENDURABLE
mouth barely touching mouth

nipple to nipple we touched
and were transfixed
by a flow of energy
beyond anything I have ever known

we TOUCHED!

and two days later
my hand embracing your semen-dripping cock
AGAIN!

the energy
indescribable
almost unendurable

the barrier of noumenon-phenomenon
transcended
the circle momentarily complete
the balance of forces
perfect
lying together, our bodies slipping into love
that never have slipped out
I kiss your shoulder and it reeks of lust
the lust of erotic angels fucking the stars
and shouting their insatiable joy over heaven
the lust of comets colliding in celestial hysteria
the lust of hermaphroditic deities doing
inconceivable things to each other and
SCREAMING DELIGHT over the entire universe
and beyond

and we lie together, our bodies wet and burning, and
we WEEP we WEEP we WEEP the incredible tears
that saints and holy men shed in the presence
of their own incandescent gods

I have whispered love into every orifice of your body
As you have done
to me

my whole body is turning into a cuntmouth
my toes my hands my belly my breast my shoulder my eyes
you fuck me continually with your tongue you look
with your words with your presence

we are transmuting
we are as soft and warm and trembling
as a new gold butterfly

the energy
indescribable
almost unendurable

at night sometimes I see our bodies glow

Claude Fauville, Os Amantes


GOD/LOVE POEM


there are no ways of love but / beautiful /
I love you all of them

I love you / your cock in my hands
stirs like a bird
in my fingers
as you swell and grow hard in my hand
forcing my fingers open
with your rigid strength
you are beautiful / you are beautiful
you are a hundred times beautiful
I stroke you with my loving hands
pink-nailed long fingers
I caress you
I adore you
my finger-tips… my palms…
your cock rises and throbs in my hands
a revelation / as Aphrodite knew it

there was a time when gods were purer
/ I can recall nights among the honeysuckle
our juices sweeter than honey
/ we were the temple and the god entire/

I am naked against you
and I put my mouth on you slowly
I have longing to kiss you
and my tongue makes worship on you
you are beautiful

your body moves to me
flesh to flesh
skin sliding over golden skin
as mine to yours
my mouth my tongue my hands
my belly and my legs
against your mouth your love
sliding…sliding…
our bodies move and join
unbearably

your face above me
is the face of all the gods
and beautiful demons
your eyes…

love touches love
the temple and the god
are one

Lenore Kandel


Poeta visionária e activista da contra-cultura, Lenore Kandel (1932-2009) é associada à "Beat Generation". Jack Kerouac imortalizou-a no seu romance Big Sur (1962) na personagem Romana Swartz. Publicou dois livros de poesia: Word Alchemy (1967) e The Love Book (1966). Kandel denominou os seus versos de erótica sagrada. Quando questionada se era religiosa, respondeu "Yes, and everyone who makes love is religious."
O seu poema "To Fuck with Love", provocou grande polémica e foi censurado. Constitui a sua afirmação mais dramática acerca da ligação entre o amor, o êxtase e a iluminação do espírito.

…the tongue between my legs spreading my thighs to screams
and I burst I burst I burst
…my god the worship that it is to fuck!
(...)
I am the god-animal, the mindless cuntdeity, the he-god animal
is over me, through me we are become one total angel
united in fire united in semen and sweat united in lovescream
sacred are our acts and our actions
sacred are our parts and our persons
(...)
to fuck with love
to love with all the heat and wild of fuck
…leaving me pure burned into oblivion
…SCREAMING DELIGHT over the entire universe
and beyond
…the energy
indescribable
almost unbearable

(excertos de "To Fuck With Love")

“Love-Lust Poem,” (World Alchemy) celebra a expressão extática do amor.

I want to fuck you
I want to fuck you all the parts and places
I want you all of me
…I am not sure where I leave off, where you begin
is there a difference, here in the soft permeable membranes
…and the taste of your mouth is of me
and the taste of my mouth is of you
and moaning mouth to mouth
…I want you to explode that hot spurt of pleasure inside me
and I want to lie there with you
smelling the good smell of fuck that’s all over us
and you kiss me with that aching sweetness
and there is no end to love

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Não me peças palavras, nem baladas

Zsuzsi Roboz, Paixão, estudo em pastel, 1997

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua…, – unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois… – abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada…
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

I Just Don't Know What To Do With Myself

O vídeo de I Just Don't Know What To Do With Myself, versão dos The White Stripes, foi realizado por Sofia Coppola, com a participação de Kate Moss.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pin-up





Alberto Vargas (1896- 1982) é um ilustrador americano de origem peruana, conhecido pelas suas pin-ups.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Torna a Surriento

« As brasas do seu prazer apagaram-se, quando, sufocado o riso, viu a mulher abandonar a indiferença de estátua com que tinha recebido no dia anterior as carícias do engenheiro e tomar iniciativa. Abraçava-o, obrigava-o a deitar-se ao lado dela, por cima dela, debaixo dela, enredava as pernas nas pernas dele, procurava-lhe a boca, mergulhava-lhe a língua e - «ai, ai», rebelou-se Dom Rigoberto - acocorava-se com amorosa disposição, pescava entre os seus afilados dedos o sobressaltado membro e, depois de passar-lhe a mão pelo lombo e pela cabeça, levava-o aos lábios e beijava-o antes de o fazer na boca. Nessa altura, a plenos pulmões, ressaltando na fofa cama, o engenheiro começou a cantar - a rugir, a uivar - Torna a Surriento.
- Começou a cantar Torna a Surriento? - pôs-se violentamente de pé Dom Rigoberto. - Nesse instante?
- Isso mesmo - Dona Lucrecia voltou a soltar uma gargalhada, a conter-se e a pedir desculpa. - Deixas-me pasmada, Pluto. Cantas porque gostas ou porque não gostas?
- Canto para gostar - explicou ele, trémulo e carmesim, entre fífias e arpejos.
- Queres que pare?
- Quero que continues, Lucre - implorou Modesto, eufórico. - Ri-te, não faz mal. Para que a minha felicidade seja completa, canto. Tapa os ouvidos se te distrai ou te dá vontade de rir. Mas, pela tua rica saúde, não pares.
- E continuou a cantar? - exclamou, ébrio, louco de satisfação, Dom Rigoberto.
- Sem parar um segundo - afirmou Dona Lucrecia, entre soluços. - Enquanto o beijava, me sentava em cima dele e ele em cima de mim, enquanto fazíamos amor ortodoxo e heteredoxo. Cantava, tinha de cantar. Porque, se não cantava, fiasco.
- Sempre o Torna a Surriento? - deleitou-se no doce prazer da vingança Dom Rigoberto.
- Qualquer canção da minha juvenude - cantarolou o engenheiro, saltando, com toda a força dos seus pulmões, da Itália para o México. - Voy a cantarles un corrido muy mentadooo...
- Um pot pourri de piroseiras dos anos 50 - precisou Dona Lucrecia. - O Sole mio, Caminito,Juan Charrasqueado, Allá en el rancho grande, e até Madrid, de Agustín Lara. Ai, que vontade de rir!
- E sem essas vulgaridades musicais, fiasco? - pedia confirmação Dom Rigoberto, hóspede do sétimo céu. - É o melhor da noite, meu amor.
- O melhor ainda tu não ouviste, o melhor foi o final, o auge da fantochada - enxugava as lágrimas Dona Lucrecia. - Os vizinhos começaram a bater nas paredes, telefonaram para a recepção, que baixássemos a televisão, o gira-discos, ninguém conseguia dormir no hotel.»

"Os cadernos de Dom Rigoberto ", de Mario Vargas Llosa, Trad. J. Teixeira de Aguilar


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Prazeres Solitários


François Boucher

Os prazeres sexuais solitários foram os que deixaram menos vestígios na arte ou na literatura. O paradoxo é que tanto os textos como as representações eróticas devem muitas vezes a sua existência ao facto de fornecerem material para fantasias masturbatórias. A masturbação é vista, primeiro, como juvenil, e segundo, como o último recurso, um alívio para aqueles que, por qualquer razão, não conseguem arranjar parceiros de forma alguma.

Tudo o que dizia respeito à masturbação era uma obsessão para a classe médica do século XIX. Pensava-se que enfraquecia quem a praticava por drenar algum tipo de fluido espinal vital. Para a combater foram inventados toda a espécie de engenhosos dispositivos onde eram confinados os infelizes jovens. Um deles, para rapazes adolescentes, gerava uma carga eléctrica e fazia soar uma campainha para acordar o portador sempre que este tinha uma erecção involuntária.

Esta obsessão estava obviamente ligada à generalizada obsessão do século XIX com a sexualidade. No entanto, o medo obsessivo do sexo, com a consequente desaprovação de quase todas as formas de actividade sexual, entrou em cena muito mais tarde e durante um período mais curto do que é geralmente calculado. Os primeiros vitorianos assumiram atitudes mais decididas para com o sexo do que hoje se pensa. Muitos deles, especialmente entre a aristocracia, mantiveram as atitudes sexuais relaxadas dos tempos do rei Jorge IV. Um exemplo disso foi Lorde Palmerston, um dos primeiros-ministros de maior sucesso da rainha Vitória, e famoso pelas suas amantes.


François Boucher

No século XVIII, os fazedores de imagens galantes - Boucher em França, Rowlandson em Inglaterra - oferecem por vezes imagens de mulheres a masturbarem-se. O seu propósito é claramente provocador. A mulher teve de recorrer a isto porque tem necessidade urgente de um homem, uma necessidade que o observador se pode imaginar a satisfazer. Na sua forma mais atrevida, a masturbação feminina é posta num contexto de exibicionismo.

Numa gravura de Rowlandson, por exemplo, uma mulher masturba-se numa plataforma perante um círculo de homens pasmados e lúbricos. O poder que ela tem sobre eles é absoluto. Longe de ser explorada, é ela quem explora o seu público escravizado.

Signior Dildo

'Vós todas, senhoras da alegre Inglaterra
Que foram beijar a mão da Duquesa,
Será que reparastes mais tarde no espectáculo
Num nobre italiano chamado Signior Dildo?

De início podeis pensar que não é ninguém importante
Porque aparece num simples casaco de cabedal,
Mas quando as suas virtuosas habilidades conhecerdes,
Ireis prostrar-vos pelo chão e adorar o Signior Dildo.

As nossas finas e delicadas duquesas têm um truque
De se apaixonarem por um idiota devido à sua picha;
As janotas despiram-se, deram as Graças mas sabem
Da discrição e do vigor do Signior Dildo.

Este Signior é certo, seguro, pronto e burro
Como sempre foi  vela, cenoura ou polegar;
Então fora com essas engenhocas más, e mostrem
Como apreciam os justos méritos do Signior Dildo.'

John Wilmot, 2º Conde de Rochester (1647 - 80)

François Boucher


Fonte: Ars Erotica, de Edward Lucie-Smith

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Belle de Jour

Belle de Jour é um filme francês de 1967, realizado por Luis Buñuel, baseado na obra de Joseph Kossel.

Séverine é uma burguesa casada com o doutor Pierre, que, para concretizar as suas fantasias sexuais, passa as tardes no bordel de Madame Anais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Foxtrot Perverso


Bar Harbor Society Orch. - Vamp Me, 1921

domingo, 2 de janeiro de 2011

Descer à terra

Brassai


Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante.
Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo misterioso e distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seios de Maria caíam nus da blusa. Uma das mãos do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo de homem fremente e quase hirto, ao mesmo tempo, à força de concentrar todo o ímpeto nas nádegas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas ardentes e sombrias da rapariga. Parecia um cavalo ofegante – os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espalhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o céu branco de agosto. Mas a voz da terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim, a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com uns olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante. Lentamente passou-lhe a mão pelo cabelo, numa carícia tímida, e começou a chorar. O carpinteiro olhou-a também, mas os seus olhos eram diferentes, havia neles sombra e solidão. Eram uns olhos nocturnos, negros como poços fundos, que afirmavam a morte.
Sem uma palavra, o homem ergueu-se e começou a mijar. A rapariga levantou-se a seguir e, de costas, parecia limpar as pernas. Eu escondi-me melhor atrás dos amieiros, não vi mais nada. Senti os passos de ambos afastarem-se, cada um para seu lado, com o coração pequeno, apertado. De um salto, atirei-me à cama que os seus corpos haviam feito na areia, respirando avidamente, como se o ar pudesse trazer-me mais do que o cheiro morno e acidulado da urina, e deixei de perceber os passos já distanciados, o estalar dos ramos secos aqui e ali, para só ouvir o silêncio.
Era um silêncio no areal, nas árvores, nas nuvens. Um silêncio na tarde, na rua, nas casas. Um silêncio no pão, na água. Um silêncio que se tornava dia a dia mais pesado mais devorador.
Um silêncio feito dos seios de Maria, dos flancos suados do carpinteiro, que me despertava a carne durante a noite, me fechava os olhos pela madrugada, me dava vontade de fugir durante o dia.

Eugénio de Andrade

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
Selecção, prefácio e notas de Natália Correia, 3.ª Edição (2005), Antígona
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...