terça-feira, 30 de novembro de 2010

Prece

Man Ray, Prayer, 1930

domingo, 28 de novembro de 2010

Erotismo no séc. XIX (2)



Na Inglaterra vitoriana, ao lado dos clássicos - Dickens, Thackeray, George Eliot, Trollope, Thomas Hardy - encontramos uma série de narrativas eróticas com a descarada intenção de excitar. Entre estes livros encontram-se Venus in India, por "Captain Charles Devereau", e os anónimos First Training e The Adventures of Lady Harpur. O primeiro destes passa-se na altura da Primeira Guerra Afegã (1840). Os outros dois pertencem aos anos 80 seguintes. Em todas estas três titilantes obras, a caracterização enfatiza a ideia das mulheres como personalidades independentes, em busca da sua própria satisfação e desdenhosas da hipocrisia sexual. Não é esta a sociedade vitoriana - reprimida, educada e repelida pelo sexo - que nos é normalmente apresentada.

O grande clássico erótico da literatura inglesa deste período é My Secret Life, por "Walter" (c. 1888), um registo altamente pormenorizado em vários volumes da odisseia sexual de um homem. My Secret Life é apresentado como facto e não ficção, e apesar do enorme número de encontros que relata, esta pretensão parece convincente.

O livro apresenta um cândido e totalmente natural panorama da vida sexual vitoriana, tal como era vista pelos olhos de um homem de ilimitados apetites eróticos. Publicado originalmente numa edição muito limitada, não se tornou geralmente disponível, mesmo de forma clandestina, até princípios do século XX.

I went back to the fair and later on met outside it a very short girl, who seemed too respectable to be by herself and had her veil down. I spoke with her, found she was going my way, and walked with her. She knew my name, and where I lived. Two nights scrambling had not got me a poke, that I suppose made me bold enough to make advances to this modest, quiet girl; I stole a kiss, then another, then a hug, then a feel, and finally, with scarcely any hindrance, fucked her. We walked and talked when it was over, she would not tell me her name or address, nor give me a glimpse of her face; I fucked her again against our own garden-wall, insisted on knowing where she lived, said I would walk till I saw, and did walk with her for about an hour. She said, "If you walk about all night you shall never know where I live, but you may do it again if you like, or I will meet you to-morrow, but I dare not let you see where I go". I feared I could  not poke again, so stopped to piss. She modestly walked on a little; I frigged my prick until the steam was up, then in her well-moistened cunt consummated, and parted, promising to meet her the next night.
(...) The next night came, the unknown girl did not keep her appointment, and the following morning found I had the clap.
Walter, My Secret Life, cap.12


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ritual








Realizado em 1999 por Stanley Kubrick, Eyes Wide Shut é baseado no conto Traumnovelle, de Arthur Schnitzler. Este romance, datado de 1926, narra a viagem alucinatória de um jovem médico, na decadente Viena do início do século XX.
Entre cafés, ruas obscuras e bailes orgiásticos ocorre a aventura do Ego e dos instintos.

domingo, 21 de novembro de 2010

Dois Corpos

Lucas Cranach, Adão e Eva (séc.XV)

Corpo de santa

BALADA DE SANTA MARIA EGIPCÍACA

Santa Maria Egipcíaca seguia
Em peregrinação à terra do Senhor.

Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.

Santa Maria Egipciaca chegou
À beira de um grande rio.
Era tão longe a outra margem!
E estava junto à ribanceira,
Num barco,
Um homem de olhar duro.

Santa Maria Egipciaca rogou:
- Leva-me ao outro lado.
Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.

O homem duro fitou-a sem dó.

Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.

- Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.
Leva-me ao outro lado.
O homem duro escarneceu: - Não tens dinheiro,
Mulher, mas tens teu corpo. Dá-me teu corpo
[e vou levar-te.

E fêz um gesto. E a santa sorriu,
Na graça divina, ao gesto que ele fez.

Santa Maria Egipcíaca despiu
O manto, e entregou ao barqueiro
a santidade da sua nudez.

Manuel Bandeira


Hans Memling, Santa Maria do Egipto, séc. XV

sábado, 20 de novembro de 2010

Eternidade

"Já sei - a eternidade: é puro orgasmo.(...)
Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus."

Carlos Drummond de Andrade, in O Amor Natural


Edward Hopper, Summer Interior, 1909

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais activa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

La collectionneuse (2)

Pela sede, aprende-se a água. - Emily Dickinson

"La Collectioneuse", de Eric Rohmer, 1967.
 

La collectionneuse (1)

Ele andava à roda no seu desejo como o preso no cárcere. - Gustave Flaubert

La Collectioneuse, de Eric Rohmer, 1967.

sábado, 13 de novembro de 2010

Dos deleites carnais



O tríptico de Hieronymus Bosch, O Jardim das Delícias Terrenas (c. 1503-1510), descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o Paraíso  e o Inferno nos painéis laterais. No centro aparece, curiosamente, a celebração dos prazeres da carne, com participantes desinibidos, sem sentimentos de culpa.


Entre o bem e o mal está a vida e o pecado e a obra expõe vividamente símbolos e actividades sexuais. As representações do pecado da luxúria acusam a efemeridade do prazer e do gozo.


Todas as frutas são uma clara alusão aos prazeres sexuais. Mas, ao mesmo tempo, as frutas simbolizam a fugacidade de tal prazer, pois, muito rapidamente, passam da frescura à putrefação.


Os pássaros de grandes proporções são também símbolos eróticos, nomeadamente, da lascívia.
 
 
Mais do que a censura, encontramos a ironia e o divertimento perante a loucura e os desvarios da vida humana.
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