domingo, 31 de outubro de 2010

La Marée


Contos Imorais, de Walerian Borowczyk, 1974

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Sem Asas

Body # 4, de Alison Watt, 1996

a coisa sem asas
do homem...

e. e. cummings

O Sem Asas e O Alado

fotografia de Edward Lucie-Smith, 1997

'a coisa sem asas
do homem...

e. e. cummings

A maioria dos homens usa os caralhos
para duas coisas apenas fazer:
de pé estão para mijar
e deitados para foder.
O mundo está cheio de homens horizontais -
ou verticais -
e na verdade é tudo o mesmo mal.

Mas o teu caralho voa
por cima da terra,
fazendo sombras
nos corpos das mulheres,
fazendo sons loucos de ave
das suas bocas pequeninas,
fazendo música
e comida para o pensamento.
Não é uma coisa sem asas
de todo.

Podíamos chamar-lhe Pégaso -
se isso não nos fizesse pensar
em estações de serviço.
Ou podíamos chamar-lhe Ícaro -
se isso não nos fizesse pensar
em cair.

Mas, mesmo asim, desce e mergulha
através do céu como um planador,
à procura de um prado,
de um campo,
de um pântano batido pelo sol
de onde (disseste bem)
toda a vida começa.'

Erica Jong

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Satyricon - A viúva de Éfeso





Esta é a livre adaptação de Fellini da famosa peça de Petronius, que faz uma crónica da vida na Roma antiga. Encolpio (Martin Potter) e seu amigo Ascilto (Hiram Keller) disputam o afecto do jovem Gitone (Max Born). Quando Encolpio é rejeitado, inicia uma jornada onde encontra todo o tipos de personagens e acontecimentos, entre eles uma orgia e um desfile de prostitutas na Roma antiga. Apesar de baseado na sociedade da Roma antiga, Satyricon reflete também um momento de caos da sociedade da década de 60...

domingo, 17 de outubro de 2010

Incapacidade de amar


Casanova, de Fellini, 1976

Casanova



Giacomo Girolamo Casanova (1725 - 1798) foi um escritor e aventureiro italiano. Teve uma vida apaixonante, tendo sido inicialmente orientado na sua educação para a vida eclesiástica.

Uma aura mágica envolve toda a sua vida de debochado, libertino, coleccionador de mulheres, escroque e conquistador empedernido que percorria os bordéis de Londres todas as noites para ter relações com mais de 60 meretrizes.Conseguiu fugir das masmorras do Palácio Ducal de Veneza, com uma fuga rocambolesca pelos telhados do palácio, depois de estar prisioneiro durante 16 meses. Tinha sido preso em 1755, sob a acusação de levar uma vida dissoluta, de possuir livros proibidos e de fazer propaganda anti-religiosa.

Irrequieto e agitado por uma inquietação que nunca o abandonou em 73 anos de vida, este sedutor em movimento perpétuo passou grande parte da sua vida em viagens por Avinhão, Marselha, Florença, Roma, Praga, São Petersburgo, Istambul e Viena. Viajou por toda a Europa e conheceu todos as personagens relevantes da sua época. Personagem, por sua vez, característico do Iluminismo do século XVIII, epicúrio e racionalista, é recordado sobretudo pelas suas inumeráveis histórias galantes. 

Dedicou os seus últimos anos à escrita de um romance, Isocameron, e, especialmente, à redacção das suas memórias, História da minha vida, volumosas e escritas em francês, que constituem um fascinante testemunho da época.

Casanova e a religiosa, de Auguste Leroux

sábado, 16 de outubro de 2010

I'm Like a Tiger

If...


If, de Lindsay Anderson, 1968

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Erotismo no séc. XIX (1)



Ingres, Banho Turco

O século XIX viu evoluções no desenvolvimento da sensibilidade erótica ocidental. Poder-se-ia dizer que as atitudes de uma grande parte do público contemporâneo, apesar das profundas mudanças sociais e intelectuais, têm ainda as suas raízes no século XIX.

Eugene Deveria, Harém

Existem basicamente duas narrativas no erotismo deste período. Uma tem a ver com a fantasia romântica. Isto pode assumir várias facetas, mas uma das mais comuns é a do devaneio oriental, copiosamente representado na arte da época, desde o tempo de Ingres (1780-1867) e Delacroix (1798-1863) em diante, e certamente presente na ficção da época.

Jean Leon Gerôme, O Banho Turco

A outra, e fundamentalmente a mais importante, é o realismo - a representação da vida do dia-a-dia. Foram as pinturas e narrativas realistas eróticas que causaram uma grande perturbação às autoridades da época. Daí, por exemplo, o libelo fracassado do romance de Flaubert Madame Bovary (1857), e o tumulto ocasionado pelo Olympia de Manet (1865) e pelo seu Déjeuner sur l' herbe (1863).

Manet, Déjeuner sur l' herbe

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eros e Thanatos

Em Querelle, a música cantada por Jeanne Moreau tem como letra a famosa frase de Oscar Wilde: "Todo o homem mata aquilo que ama".


Jeanne Moureau - Each man kills the thing he loves (Oscar Wilde)

Querelle

Querelle é um filme de 1982, realizado por Rainer Werner Fassbinder, e  baseado no romance "Querelle de Brest" (1947), de Jean Genet.

Querelle é um marinheiro que se envolve com homens e mulheres no porto de Brest (França). Em busca de prazer, fomenta desejos, envereda pela marginalidade e, finalmente, pela criminalidade, tornando-se ladrão e serial killer. Tenta, através da violência, sentir e dar prazer. Até que os seus próprios desejos o obrigam a abandonar a sua passividade e a demonstrar as suas emoções.

in Wikipedia

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sim...Sim!

E.M. de Melo e Castro nasceu na Covilhã em 1932. Poeta, crítico e ensaísta, é teórico e praticante do experimentalismo poético e também um dos seus principais difusores em Portugal. É igualmente considerado um  introdutor da poesia concreta em Portugal (com o livro “Ideogramas”) e pioneiro da videopoesia (com Roda Lume). É autor de inúmeros livros, dentre os quais: Finitos mais Finitos; Literatura Portuguesa de Invenção; Visão Visual; O Fim Visual do Século XX; O Próprio Poético,de entre outros.

Poemas eróticos, pornô, caralhamas, conemas, de engate, execráveis, maneiristas, neobarrocos, subprodutos, desaforismos, escatológicos ou do esgoto, seguidos dos mui inducativos textículos de R’manceu = zero, tudo para gáudio geral.

 E.M. de Melo e Castro em  “Sim...Sim!”


mais difícil é falo
que falá-lo
mais difícil é língua
do que lua
mais difícil é dado
do que dá-lo
mais difícil vestida
do que nua
mais fácil é o aço
do que achá-la
mais fácil é dizê-la
que contê-la
mais fácil é mordê-la
que comê-la
mais fácil é aberta
do que certa
nem difícil nem fácil
nem aço nem licor
nem dito nem contacto
nem memória de cor
só mordido só tido
só moldado só duro
só molhada de escuro
só louca de sentido
fácil de falá-lo
difícil de contê-lo
o melhor é calá-lo
o melhor é fodê-lo
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